Resolvemos reservar este espaço, para colocar foco nesses professores que merecem admiração. Não são super herois nem super heroínas, nada disso, são professores da rede de ensino do Rio de Janeiro, que insistem em desconsiderar os obstáculos e as limitações e vão seguindo e inovando em sua prática; cada dia como se fosse o primeiro.
Vamos conversar?
Nossa conversa hoje é com a Fátima Bispo, professora de Educação Física da Escola Municipal Frederico Eyer, entre outras.
O conselho para quem começa na profissão:
"Vincular seu nome a alguma área específica - ter foco numa área. Enfim, vincular o seu nome, como referência numa área ou atividade, sem, no entanto, se fechar para outras possibilidades. Ser flexível e atento. Procurar se diferenciar complementando a formação com cursos significativos dentro da área escolhida. E acima de tudo, ter um plano de vida, especialmente um plano de carreira. Saber onde se quer chegar e como, é fundamental. Pensar e planejar a aposentadoria. Essa é a hora!"
Sobre a visão da Educação Física na formação dos indivíduos. Educação Física é recreação?
Apesar de considerar que brincadeira é coisa séria; que é super importante na formação e desenvolvimento, Fatima se incomoda com aqueles que confundem EF com recreação e até profissionais da área também confundem."A intencionalidade pedagógica é tudo! Nossa área é muito fértil desde que o professor tenha exata noção do que quer desenvolver. Podemos desenvolver e potencializar habilidades físicas, psíquicas e sociais. Tem que saber o que quer."
Lá pelas tantas, surgiu o xadrez na vida da professora de Educação Física.
Um dia lá atrás, dois alunos da 7ª série (na época) da EM Pedro Aleixo, ensinaram xadrez à professora, para que ela os levasse a um torneio. Chegando lá, ela ficou surpresa com a quantidade de crianças do município, que participavam do torneio. Resolveu estudar para que ficassem melhor preparados no próximo ano. No caminhar, percebeu que crianças que não aprendiam a ler e escrever aprendiam um jogo complexo como o xadrez. Alguns melhoravam essas aquisições depois de aprenderam xadrez. Por conta disso, nunca mais parou de aprofundar os seus conhecimentos.
O muito legal é saber que ela se preocupou em acompanhar o desempenho dos alunos do projeto nas demais áreas do conhecimento e, até o final do ano passado confrontava os gráficos de desempenho das turmas com a respectiva produção no xadrez; percebeu que a relação não é tão direta.
Então, você pensa: ela desistiu? Nada disso.
Para esse ano está montando um estudo para aferir os ganhos nas funções executivas e, dessa forma, poder confrontar o desempenho de cada aluno individualmente. Ou, pelo menos, apontar onde esse aluno está melhorando de forma a dar "pistas" para a professora do núcleo comum.