sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Conversando com Heloiza Pereira Bernabé

Da Série - um pequeno reconhecimento aos nossos professores

Vamos conversar?

A conversa de hoje é com a Professora Heloiza Pereira Bernabé, da Escola Municipal Capistrano de Abreu, no Jardim Botânico. Começamos nossa conversa com o conselho da Heloiza a quem começa na carreira de professor.

"Acredito que mais importante do que o desenvolvimento cognitivo do aluno é o desenvolvimento humano e o respeito às diferenças. É necessário ter o olhar voltado para o perfil da turma, trabalhando com o que de melhor puder ser extraído do grupo. Sempre que possível associar os conteúdos trabalhados com exemplos práticos, contidos no dia a dia do aluno. Isso despertará o interesse deles e fará com que a aula seja prazerosa para os dois lados."

Bom ler isso, certo? Respeitar as diferenças, considerar o saber do aluno como o ponto de partida e articular o prazer e o aprender. 

O resultado do trabalho da Heloiza, à frente da turma do 3o ano, na área de Matemática, colocou a Escola em nono lugar no IDERIO 2014, tendo alcançado a média de 8,8 na disciplina. O resultado final fala muito, mas o que me encanta é o processo de como a turma chegou a esse resultado; como ele foi construído; o que ela tinha como objetivo e o que fez para conseguir que eles aprendessem, gostando de Matemática? 

"O objetivo era conseguir trabalhar os conteúdos de Matemática de forma mais simples e lúdica, fazendo com que os alunos compreendessem o mecanismo da Matemática ao invés de decorarem. 
Resolvi confeccionar  com a turma jogos matemáticos com a utilização de material reciclável que eles próprios traziam. Assim eles estariam participando do processo desde o início. O material criado serviu de apoio para serem utilizados em atividades de operações matemática s, sistema monetário e formas geométricas entre outras. No ano que implantei essas atividades com meus alunos pude trocar ideias e experiências com outras colegas de profissão através dos encontros do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, PNAIC e da capacitação em alfabetização, promovida pelos Parceiros da Educação RJ e realizada pela Professora Cristina Campos.

Todo o processo foi importante.  Consegui que eles trabalhassem juntos, cooperassem uns com os outros, ouvissem, se organizassem em seus grupos, tomassem algumas decisões sozinhos... Usamos tampinhas de refrigerante e palitos de sorvete para a contagem, trabalhamos conteúdos como dobro, triplo, metade usando o jogo trilhas feito com cartolina, garrafas pet como boliche ....Assim que os materiais ficaram prontos, eles puderam explorar e jogar, criando suas regras e também sem regra nenhuma, apenas para motivá- los. Depois, de acordo com o meu planejamento para a aula, eu introduzia esses materiais como forma de obtenção e ajuda para encontrar as respostas das atividades. 

Existem materiais já prontos como esses que fizemos, que encontramos nas lojas. O diferencial é que a partir do momento que eles criam, participam da confecção, trazem os reciclados, eles cuidam desse material. Fazem durar."



 




segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Conversando com Lilian Luzia Mattos de Andrade Fidanza


Terceira da Série: criamos um blog para colocar foco nestes professores que merecem admiração. Não são super herois nem super heroínas, nada disso, são professores da rede de ensino do Rio de Janeiro, que insistem em desconsiderar os obstáculos e as limitações e vão seguindo e inovando em sua prática; cada dia como se fosse o primeiro.Vamos conversar?

Nossa conversa é com a professora Lilian Luzia Mattos de Andrade Fidanza, do CIEP Samora Machel, na Nova Holanda, Complexo da Maré.

As nossas conversas, geralmente começam pedindo aos professores entrevistados, um conselho para quem está começando na profissão e as palavras da Lilian foram bem certeiras:

“Escolha uma profissão que se levantar da cama, valha o esforço. E mesmo tendo percalços, você se sinta capaz de resolvê-los ou ao menos eles não a impeçam de acordar cedo e serena no dia seguinte para mais um dia.”

Acho que era essa certeza que já aparecia no sorriso dela, 
quando se formou e se tornou professora.

Continuando a nossa conversa.

Já diziam que quando uma parte da estrutura se mexe, todo o restante da estrutura se  acomoda ao novo formato, certo? Com a Lilian, aconteceu algo parecido, em sua aproximação com a tecnologia.

“Eu era super leiga na parte tecnológica aos 36 anos e mal sabia fazer um e-mail. Fiz um cursinho de férias na faculdade Estácio. Soube de uma pós-graduação na UNICARIOCA, de Docência do Ensino Superior em Informática Educativa; paguei toda a pós de uma só vez para não ter como desistir.  
Minha filha era bem pequena e eu “perdia" meus sábados nas aulas da pós, mas foi uma maneira de incentivar meu marido a concluir a sua graduação em Educação Física. Ele protelava, pois estava em outra área, mas por outro lado, não parecia nada satisfeito, então, resolvi concluir a minha pós-graduação, para estimulá-lo e funcionou!!! Ele se formou, hoje trabalha em academia e é personal trainer, acorda feliz e tem demonstrado muita satisfação na sua escolha!
Eu concluí a pós com muuuuita, muita ajuda dos colegas da UNICARIOCA! Na época sabia um pouquinho até de robótica, mas hoje em dia, só faço o básico no computador. Tenho até deixado ele meio de lado e uso mais o celular. ”

Enfim, a Lilian segue uma tendência que é termos a tecnologia cada vez mais presente e menos aparente. E o celular é prova disso. É natural usar o celular e ninguém faz curso para aprender a usar – simplificando cada vez mais no cotidiano das pessoas. 

Apesar desse convívio tão frequente com a tecnologia, resta perguntar: E na escola? Como é o uso da tecnologia na sua prática pedagógica?

“Faço avaliações no computador, pesquiso e adapto atividades, imprimo em casa para virarem tarefas de casa aos alunos. Essas atividades são pequenas e lúdicas e de fácil execução e as crianças podem fazer sem auxílio de um adulto; é mais para criar responsabilidade.
Sinto bastante falta de levar os alunos na sala de informática, pois o uso desta tecnologia minimizaria muitas dificuldades apresentadas na sala de aula nesta fase de alfabetização! ” 

Tempo no magistério, desde 1986, no CIEP Samora Machel.


“Um ano e meio na creche Acalanto em Botafogo assim q me formei; tinha passado para o município, mas ainda não tinha sido chamada e depois, no CIEP Samora Machel há 29 anos.

Uma trajetória profissional com muitas imagens

Momentos da sua vida profissional, imagens que contam um pouco de sua atuação como professora – foi o pedido da Professora Lilian, que aos 48 anos, tira fotos dos alunos, registrando os fatos mais marcantes, fotografa funcionários da escola, os passeios e, todo final de ano , entrega um CD com as fotos para cada aluno ter como lembrança  daquele ano! Algumas vezes, mostrou as fotos ainda durante o ano para os alunos ou para os responsáveis nas reuniões de pais e sempre costuma ser um momento de muita descontração! Eis alguns dos registros.




                         
Quadra de esportes parceria CIEP Samora Machel e Parceiros da Educação RJ










sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Conversando com Marise Queiroz Borges

O segundo da série: criamos um blog para pequenos relatos sobre a experiência de professores - um reconhecimento ao valor de profissionais, que estão nas escolas, trabalhando para fazer uma educação de qualidade. Confira!

Hoje, a nossa conversa é com a Professora Marise Queiroz Borges, há 30 anos, exatamente desde 1985, lotada na Escola Municipal Frederico Eyer, na Cidade de Deus.

Trinta anos é muito tempo e vivemos muitas mudanças. A queda do World Trade Center, as guerras na Albânia e no Oriente Médio, as vítimas do terremoto no Haiti e do furacão Katrina são apenas alguns dos eventos.  

Na Educação  também algumas coisas caminharam, apesar de ainda estarmos buscando muitas melhorias: a formação dos docentes passa a ter a exigência de diploma de nível superior. A formação de professores índios avançou. Merenda para quase todas as crianças. A informática chegou às escolas. Mudanças positivas na Educação Infantil. A função do diretor se expandiu à gestão da aprendizagem. As crianças com deficiência chegaram à rede pública. Todavia, a Educação vivia e ainda vive o desafio de melhorar a qualidade do ensino, os caminhos de manter os alunos na escola e a aproximação e o envolvimento da família nas atividades escolares dos estudantes. 

Os 30 anos da Professora Marise na EM Frederico Eyer falam dessas mudanças. 

"Quando cheguei em 1985, a escola atendia muitas crianças de orfanato,  muitas mesmo.  Eram crianças bastante carentes,  carentes de tudo.  A maioria não tinha família,  em compensação,  como professora, me sentia mais valorizada e respeitada. Atualmente,  algumas famílias dão pouca importância à escola.  Claro que não são todas,  mas um número  significativo.
Muita coisa mudou desde que cheguei aqui.  Antigamente,  tínhamos pouco material e poucos recursos,  em contrapartida,  os alunos eram mais frequentes.  O desempenho da escola era razoável e foi melhorando ao longo do tempo, porém, apesar de muitas tentativas de solução,   ainda temos muitos alunos faltosos. 
Quanto a mim, enquanto profissional, tento me adaptar às mudanças que ocorrem na Educação,   concordando ou não com essas mudanças.  Tento realizar meu trabalho da forma mais responsável possível,  procurando meios para conseguir ajudar efetivamente no desenvolvimento dos meus alunos."

Os efeitos sobre a prática pedagógica.

"Ao longo de todos esses anos, sinto que o respeito e os limites estão diminuindo gradativamente, o que torna, pra mim, mais difícil e cansativo o dia a dia na sala de aula. 
Acredito que o professor tem um papel fundamental na formação do aluno em vários aspectos,  o que torna essa profissão muito importante e especial. 
Na minha opinião,  o ideal seria uma escola bem equipada,  com autonomia,  pessoal e materiais suficientes, turmas com menor quantidade de alunos,  professores e funcionários bem remunerados,  alunos interessados e família presente. Claro que dificuldades sempre existiram e existirão,  mas, penso que continuaremos conseguindo superar e seguir em frente."

O prazer de ensinar, acima de tudo.

"Tento ajudar meus alunos, mostrando diferentes caminhos para chegar a uma resposta,  para que,  cada um,  tenha opção de escolher o que tiver maior facilidade. Gosto muito também  de trabalhar com exercícios e jogos de lógica,  desafiando a turma a pensar em soluções e criar estratégias, buscando respostas,  às vezes individualmente,  em dupla ou em grupo. Os alunos gostam e tem sido bem positivo. 

Umas palavras para quem inicia na profissão

"Não sou muito boa para dar conselhos,  mas para quem está começando agora eu diria o que digo a mim mesma: determinação para alcançar os objetivos e persistência para não desistir diante dos obstáculos que surgirem."