O segundo da série: criamos um blog para pequenos relatos sobre a experiência de professores - um reconhecimento ao valor de profissionais, que estão nas escolas, trabalhando para fazer uma educação de qualidade. Confira!
Hoje, a nossa conversa é com a Professora Marise Queiroz Borges, há 30 anos, exatamente desde 1985, lotada na Escola Municipal Frederico Eyer, na Cidade de Deus.
Trinta anos é muito tempo e vivemos muitas mudanças. A queda do World Trade Center, as guerras na Albânia e no Oriente Médio, as vítimas do terremoto no Haiti e do furacão Katrina são apenas alguns dos eventos.
Na Educação também algumas coisas caminharam, apesar de ainda estarmos buscando muitas melhorias: a formação dos docentes passa a ter a exigência de diploma de nível superior. A formação de professores índios avançou. Merenda para quase todas as crianças. A informática chegou às escolas. Mudanças positivas na Educação Infantil. A função do diretor se expandiu à gestão da aprendizagem. As crianças com deficiência chegaram à rede pública. Todavia, a Educação vivia e ainda vive o desafio de melhorar a qualidade do ensino, os caminhos de manter os alunos na escola e a aproximação e o envolvimento da família nas atividades escolares dos estudantes.
Os 30 anos da Professora Marise na EM Frederico Eyer falam dessas mudanças.
"Quando cheguei em 1985, a escola atendia muitas crianças de orfanato, muitas mesmo. Eram crianças bastante carentes, carentes de tudo. A maioria não tinha família, em compensação, como professora, me sentia mais valorizada e respeitada. Atualmente, algumas famílias dão pouca importância à escola. Claro que não são todas, mas um número significativo.
Muita coisa mudou desde que cheguei aqui. Antigamente, tínhamos pouco material e poucos recursos, em contrapartida, os alunos eram mais frequentes. O desempenho da escola era razoável e foi melhorando ao longo do tempo, porém, apesar de muitas tentativas de solução, ainda temos muitos alunos faltosos.
Quanto a mim, enquanto profissional, tento me adaptar às mudanças que ocorrem na Educação, concordando ou não com essas mudanças. Tento realizar meu trabalho da forma mais responsável possível, procurando meios para conseguir ajudar efetivamente no desenvolvimento dos meus alunos."
Os efeitos sobre a prática pedagógica.
"Ao longo de todos esses anos, sinto que o respeito e os limites estão diminuindo gradativamente, o que torna, pra mim, mais difícil e cansativo o dia a dia na sala de aula.
Acredito que o professor tem um papel fundamental na formação do aluno em vários aspectos, o que torna essa profissão muito importante e especial.
Na minha opinião, o ideal seria uma escola bem equipada, com autonomia, pessoal e materiais suficientes, turmas com menor quantidade de alunos, professores e funcionários bem remunerados, alunos interessados e família presente. Claro que dificuldades sempre existiram e existirão, mas, penso que continuaremos conseguindo superar e seguir em frente."
O prazer de ensinar, acima de tudo.
"Tento ajudar meus alunos, mostrando diferentes caminhos para chegar a uma resposta, para que, cada um, tenha opção de escolher o que tiver maior facilidade. Gosto muito também de trabalhar com exercícios e jogos de lógica, desafiando a turma a pensar em soluções e criar estratégias, buscando respostas, às vezes individualmente, em dupla ou em grupo. Os alunos gostam e tem sido bem positivo.
Umas palavras para quem inicia na profissão
"Não sou muito boa para dar conselhos, mas para quem está começando agora eu diria o que digo a mim mesma: determinação para alcançar os objetivos e persistência para não desistir diante dos obstáculos que surgirem."

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