segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Conversa com Cecilia Pinheiro - Blog 3

Blog 3: Hora do lanche

Para a hora do lanche, uma provocação pedagógica para a Cecília Pinheiro, sobre um escrito da Jaqueline Moss:   - "Reinventar a escola dialogando com a cidade e a comunidade." - a pedagoga diz também que devemos buscar a concepção de escola que interfere no mundo. Não há uma certa oposição entre as duas ideias? Não há o risco de as pessoas entenderem que dialogar seja sinônimo de só adaptar a escola à cidade e à comunidade? Você acha que reinventar a escola deve começar pela sua escuta da comunidade e da cidade? O que a escola levaria para esse diálogo, como proposta para o desenvolvimento das crianças? Livre pensar...

Sobre reinventar a escola e a citação da Jaqueline Mool, esta foi uma questão que me levou a muitas e muitas reflexões, até pelo o que estou vivendo na minha vida profissional. Acredito que o diálogo entre escola e comunidade precisa existir e que é preciso desconstruir a visão de diálogo somente como uma forma de reproduzir dentro da escola o que eles já vivem lá fora. Isso para mim não é dialogar com a comunidade e sim, reproduzi-la, e muitas vezes didatizá-la.

Quando falamos em ouvir a comunidade pensamos logo em algo fora do muro da escola e às vezes esquecemos que lá dentro da escola já atendemos a comunidade, os alunos, os pais, os funcionários que moram na escola. Ouvir estes sujeitos nos dá muita indicação do que pensam e sobre como agem em sua comunidade.
Reinventar a escola para mim, começa com a escuta das pessoas que compõem aquela escola, afinal escola são pessoas e só é possível mudança, quando estas pessoas mudam. 

Quando se abrem escutas no ambiente escolar, muitas situações da comunidade e da cidade surgem e aí entra a intervenção coletiva: o que nós, enquanto escola podemos fazer? E muitas ideias surgem e então não se delimita a escola somente como espaço de aprendizagem; ele se amplia e o dialogo efetivamente acontece...

Reinventar para mim não é somente levar o contexto da comunidade para a sala de aula e sim buscar na escola, formas para agir efetivamente sobre este contexto e isso constrói nos alunos uma identidade cidadã de fato; muitos passam de agentes de observação da realidade para agentes de transformação. Isso é fazer uma educação emancipatória!  É isso que venho buscando, pois, a proposta de educação, como ferramenta emancipatória amplia a ação, gerando reflexos para a comunidade e para a cidade. ”

É um lindo e longo caminho, que se pode fazer com alegria, penso eu.

Voltando um pouquinho sobre o diálogo escola X comunidade. O lixo na comunidade tem nos deixado muito incomodados. Primeiramente, nós do Núcleo do Projeto Independência*, fomos à rua, conversamos com algumas pessoas, pegamos telefones dos responsáveis pela coleta e agora estamos mobilizando os alunos para levar esta conscientização para suas casas. Eles irão escrever cartas para os órgãos responsáveis, questionando a regularidade da coleta e produzir panfletos de conscientização para distribuirmos no bairro.

Nossa rua em frente à escola fica assim

*     Na semana que as professoras do Núcleo foram até as pessoas na rua, e começaram a questionar algumas pessoas responsáveis pela coleta, a retirada do lixo aconteceu como nunca e a rua ficou assim, sem lixo.



Esta situação não é regular, então vamos envolver a comunidade, tanto na conscientização sobre o descarte do lixo, como na cobrança do direito à coleta, mostrando a eles os malefícios desta situação, tornar foco de estudo e de intervenção."


Nota da entrevistada sobre o que é o Núcleo e o Projeto Independência.

"O Núcleo do Projeto Independência foi formado em julho deste ano e foi formado por professores que desejaram fazer parte do projeto Independência O Núcleo hoje é composto de 06 pessoas, que são:  um representante da Secretaria de Educação de Petrópolis, um representante de uma universidade local e a equipe gestora da escola
O Projeto Independência visa a uma reconfiguração da prática escolar, partindo da autonomia, do rompimento da ideia de seriação e do repensar práticas de avaliação."

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